quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Verdadeiro cliente "do contra"

O cliente dirige-se ao balcão e pede uma embalagem de Betadine... eu questiono se quer a pequena ou a grande ao que ele me responde "Quero a média." e não, ele não estava a brincar.

Depois de respirar fundo 3 vezes, de lhe explicar que só fazem embalagens pequenas ou grandes e daí eu não ter feito referência a nenhuma média, e de chegarmos à conclusão de que afinal levava a pequena, ele pede-me uma embalagem de thrombocid em gel. Eu respondo que de momento só tenho a embalagem grande e ele diz-me "Então mostre-me a pequena". Ao fim de um grande esforço para não me rir, digo que só tenho mesmo a grande e por isso não lhe consigo mostrar a embalagem pequena.

Por último, pede-me uma caixa de luvas. Eu mostro-lhe os diferentes modelos que tenho, digo que umas custam 6.99€ e outras 9.99€ ao que ele pergunta "E quanto custam as mais baratas?"

Isto tudo numa única venda a um único cliente.

Infelizmente pérolas destas não são raras e aquilo que até pode parecer engraçado, ao fim de umas semanas  a lidar com o público perde toda a piada que poderia ter.

And the question is...

A sério, há algo mais irritante do que ao meio-dia cumprimentarmos os clientes com um sorridente "BOM DIA" e eles simplesmente olharem para nós e responderem um seco "BOA TARDE"?


Genéricos e afins

Clt: (Num tom super orgulhoso de quem sabe daquilo que fala) - Bom  dia, há um Ipufreno que substitui o genérico, não há? O Ipufreno de 400 e de 600.

Eu: - Não, o IBUPROFENO  já é o próprio genérico, mas é vendido só em farmácia.

E com isto a senhora saiu da loja mais confusa do que quando entrou, e a pensar que eu a estava a enganar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Anúncios de televisão

Porque será que os clientes julgam sempre que somos uns seres que vêem todos os anúncios que dão na televisão e que, para além disso, ainda temos capacidades adivinhatórias?

Dirigem-se a nós sem saberem aquilo que querem comprar mas, como é um artigo que está a passar na televisão, nós temos a obrigação de saber qual é, mesmo que eles não o saibam.

Como tal não são raras as vezes que conversas como esta ocorrem:

Clt: -  Bom dia, é um produto que dá na tv agora... acho que é para o metabolismo... 
(e fica a olhar para mim à espera que eu diga que sei qual é, mas como eu continuo a olhar para ela e lá continua) 
ai, não sei explicar para o que é... Aquilo não é alho, não é alcachofra... não é... 
(e eu à espera que ela dissesse o que É)... 
Não sei... É aquele novo que dá na tv!!!

Eu: - 

Clt: - Pois é que ele está a passar na televisão sabe?


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Num supermercado perto de si

Hoje, num supermercado perto de si as caixas encontravam-se com as habituais filas para pagar, mas eis que havia uma sem fila alguma - a prioritária.

Uma senhora dirige-se à dita caixa para efectuar o pagamento das suas compras e a caixeira explica-lhe que não pode ser porque aquela caixa é apenas para grávidas, pessoas com deficiências etc (procedimentos internos) e pede para ela se dirigir à caixa do lado. A cliente muito contrariada e com má cara lá acabou por ir.

No instante seguinte dirige-se um senhor também para a dita caixa e a rapariga deu-lhe a mesma conversa que tinha dado à cliente anterior. E o cliente tudo bem.

Mas nisto a senhora-com-a-azia que se encontrava na caixa do lado sai-se com a seguinte pérola para o cliente (como se o conhecesse de algum lado):

- Não ligue que ela hoje não quer é fazer nada, não quer trabalhar!

A moça ficou com uma azia pior que a da outra daquelas que nem Rennie nem Kompensan resolvem.

E eu cá para mim apenas pensei

- Menos senhora, menos. Escusa de fazer figuras tristes porque ainda não há caixas prioritárias para o tipo de deficiência do qual padece.

E isto, uma vez mais, só comprova a ignorância e a falta de educação das pessoas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mas não está ninguém??

Há dias, estava eu com uma cliente, a mostrar uns cremes que se encontravam nas prateleiras mais baixas, quando entra na loja uma outra cliente, de meia idade, e não vendo ninguém atrás do balcão, começa literalmente aos gritos na entrada da loja (gritaria tal que as pessoas que se encontravam no café em frente estavam todas a olhar para dentro da loja):


- NÃO ESTÁ AQUI NINGUÉM?? 
MAS NÃO ESTÁ AQUI NINGUÉM PARA ME ATENDER??

NÃO ESTÁ AQUI NINGUÉM???

Eu simplesmente respiro fundo e, desculpando-me perante a senhora que estava a atender, lá vou ver o que de tão grave se passou para justificar aquela gritaria, se o mundo estava a acabar ou algo semelhante.
Quando chego ao pé da senhora esta diz-me, com toda a razão do mundo do lado dela:

- Ah, estavam ali a falar tão baixinho que ninguém vos ouvia!

Pois, se se tivesse dado ao trabalho de entrar mais um pouco na loja em vez de ficar especada a gritar à entrada, certamente que nos teria visto e ouvido. Pensei eu, pois claro. Que infelizmente temos de ouvir e calar.

Ah, e afinal o que era de tão importante que a senhora queria?, perguntam vocês.
Era uma embalagem de canesten.

Pomadas e outras cenas

Clt: - Boa tarde menina, é ali uma pomada daquelas. - diz a cliente apontando para a prateleira atrás de mim, onde se encontram variadas pomadas de variadas marcas para variados fins específicos.

Eu: - Qual delas é que quer?

Clt: - Aquela ali para as assaduras do bebé. - diz meio irritada e continua a apontar para uma prateleira onde estão pelo menos 4 marcas diferentes de pomadas para assaduras de bebés.

Eu: - É esta? Ou esta? - Pergunto eu pegando em duas delas.

Clt: - Nãooo! É aquela que está ali! - diz-me ela já evidentemente irritada - Aquela da caixa amarela, atrás de si!

Bolas, realmente como é possível eu não ter adivinhado à primeira o que a senhora pretendia, é inadmissível... 
Infelizmente como ela são outros tantos, que julgam que nós, aqueles que estamos a atender ao balcão, sabemos ler pensamentos e temos de saber o que pretendem sem darem qualquer "pista". 
E a parte mais cómica é que ficam logo exaltados e irritados se não o fazemos à primeira.
Não percebo...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Venda de medicamentos a menores de 16 anos

Porque é que é tão difícil entender que se não vendemos medicamentos a menores de 16 anos, é porque simplesmente não podemos?

Antes de virem com maus modos, quase a agredir-nos porque recusámos a venda do medicamento ao filho-sobrinho-neto-vizinho-etc, deviam ler isto para perceberem que se não vendemos, não é por má vontade nossa. E que nem sequer é regra inventada por nós! Ela existe e, como tal, é para ser cumprida.Caso contrário, somos nós que nos sujeitamos a uma multa... e não só!

Mas porque será que quando tentamos explicar isto nem sequer fazem um pequeno esforço para perceber?

Falam-nos mal, gritam, praguejam e ainda se saem com pérolas do género:

"Ainda se fosse álcool ou tabaco... agora um medicamento... pff onde é que já se viu?"

Ignorância? Falta de educação? Falta de cultura?
Sinceramente, nem sei!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tosse seca com expectoração...

Eis A melhor opção para quando pedem "um xarope para tosse seca mas com expectoração":




É que este, ao menos, dá para os dois tipos de tosse, não há nada que enganar!


Sai umas pastilhas para a garganta!

Clt: - Boa tarde menina, são ali umas pastilhas uchton.

Eu: - Desculpe?!?

Clt: - Quero umas pastilhas uchton ou  eutchon ou lá o que é aquilo... 

(e nisto, não obtendo resposta, aponta, já meio irritado)

       - Aquelas que ali estão, as ufon!

Eu: - Ah! Quer umas Euphon, é isso?!


terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do trabalhador VS Pingo Doce

Pois pois, embora não pareça, hoje É o dia do trabalhador!

Um dia da maior importância para os trabalhadores. Um dia que devia ser aproveitado para lutarmos pelos nossos direitos e reivindicarmos melhores condições.

Mas eis que os supermercados decidem abrir. (Um desrespeito por tudo o que este dia possa representar, a meu ver.)

E eis que o Pingo Doce faz uma campanha destas e as pessoas correm todas para lá a fim de irem fazer as suas compras. 

E eis que há um boicote total aos vários apelos dos sindicatos para que não se frequentassem as superfícies comerciais neste dia. 

Traição, falta de princípios? Pensa muita gente. 
Mas a meu ver, não é bem assim! Por mais que seja contra a abertura das superfícies comerciais neste dia, e por mais que não fizesse parte dos meus planos sair de casa hoje para ir fazer compras... também lá fui parar! E assim passei parte do meu dia do trabalhador.
CRISE é a palavra-chave!

Crise, desemprego, ordenados baixos e famílias para sustentar! Algo de força maior que nos obrigada a ir aproveitar uma promoção destas, indo contra tudo aquilo em acreditamos. 
Pois bem, se posso fazer as ditas compras do mês e pagar 100€ em vez dos habituais 200€, tinha mesmo de aproveitar! Pois, como alguém disse, "o dinheiro está caro"! E, infelizmente parece que cada vez mais! 

Quantos aos trabalhadores do Pingo Doce... Admiro-os. E muito.
Não tiveram um dia nada fácil, com certeza! hoje foram uns autênticos empregados desesperados, de certeza!

Para além do enorme aglomerado de gente, as discussões e falta de civismo, a loja estava caótica. As prateleiras totalmente vazias. Haviam imensas coisas no chão, coisas partidas, embalagens danificadas, lixo por todo o lado, garrafas de bebidas atiradas para um canto. Roubos, mais que muitos! 

Parecia mesmo que estávamos no meio de uma catástrofe mundial! 

Sinceramente, depois do que vi hoje, fiquei a pensar até que ponto é que o lucro vai compensar o prejuízo!

The beginning...

Bem vindos a este meu cantinho.

Se aqui estão é muito provável que, tal como eu, sejam empregados de balcão desesperados. Ou então não, talvez tenham cá vindo parar meramente por acaso (pouca sorte a vossa), ou tenham vindo movidos apenas pela curiosidade.

Neste espaço vou retratar (ou pelo menos tentar) o quotidiano daqueles que, tal como eu, lidam com o atendimento ao público, de modo a poder dar a conhecer a realidade deste pequeno-grande mundo, vista da parte de dentro do balcão.

O atendimento ao balcão pode ser por vezes (quase sempre) desesperante. Entre conversas, conselhos, sugestões, opiniões, reclamações e afins, há um todo complexo, que é muito mais do que simplesmente vender. Acima de tudo é necessário levar diariamente na bagagem "kilos" de paciência para o local de trabalho. (Requisito obrigatório!).

Bem vindos uma vez mais a este meu cantinho que pretende retratar tudo isto e muito mais.

A realidade dos que, tal como eu, são EMPREGADOS DE BALCÃO DESESPERADOS!